A visita apostólica do Papa Leão XIV a Angola, de 18 a 21 de abril de 2026, marcou um momento forte para a Igreja neste país da África centro-austral, e particularmente para a Província Jesuíta da África Central. Não só porque este país faz parte do nosso espaço apostólico, mas também porque esta deslocação parece inscrever-se numa continuidade providencial particular: a última viagem apostólica do Papa Francisco a África levou-o à República Democrática do Congo, e eis que a primeira do Papa Leão XIV o conduz a Angola. Entre estes dois países, não existe apenas uma proximidade geográfica ou histórias políticas paralelas; há também uma profundidade histórica mais antiga, feita de circulações humanas, culturais e políticas que precedem largamente as fronteiras atuais. Uma realidade que recorda que este espaço é, no fundo, um tecido vivo, que herdamos para a nossa missão; tendo a Providência nos reunido, há já cerca de 16 anos, numa mesma Província. Para além dos encontros oficiais, esta viagem foi portadora de uma mensagem clara: reconhecer as feridas do passado enquanto se reaviva a esperança de um futuro possível. Angola vista pelo Papa Leão XIV: uma terra ferida que espera O Santo Padre lança sobre Angola um olhar ao mesmo tempo lúcido e cheio de esperança. O que mais impressiona nas suas palavras é a forma como mantém unidas, sem as opor, a gravidade das feridas e a força dos recursos interiores do povo angolano. Não cede nem a uma visão miserabilista nem a um otimismo ingénuo. Nomeia com lucidez as feridas históricas e as lógicas de exploração que marcaram e continuam a marcar o país. Na imagem dos discípulos de Emaús, reconhece uma chave de leitura da história angolana: um « país belíssimo e ferido, que tem fome e sede de esperança, de paz e de fraternidade »; um povo que continua a caminhar, mas que traz consigo o peso de um passado doloroso, correndo o risco de perder o impulso da esperança, como sublinhou na sua homilia durante a missa de domingo em Kilamba. E, no entanto, é precisamente aí, na memória dolorosa da guerra civil e na confrontação profética com uma economia sem rosto humano, que o Ressuscitado vem caminhar ao nosso lado e reavivar a esperança. Logo no primeiro dia da visita, perante as autoridades políticas, a sociedade civil e o corpo diplomático, o Bispo de Roma sublinhava que Angola não é uma terra a explorar, mas uma mosaico humano rico de talentos e sonhos. Demasiadas vezes se olhou para África « para dar ou, mais frequentemente, para tirar algo». Convidava, assim, a « quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria». Para o Papa Leão XIV, a sabedoria africana, que reconhece « que a criação é harmonia na riqueza da diversidade », é o melhor antídoto contra esta lógica de exploração e de violência, « fomentando a pobreza e a exclusão». Exorta os responsáveis a não temer a divergência, a escutar os jovens e os idosos, a transformar os conflitos em caminhos de renovação e a colocar o bem comum acima dos interesses de grupo. Ao mesmo tempo, o Santo Padre discerne algo de mais profundo no povo angolano, que não se deixa reduzir a determinismos: uma forma de alegria resistente, quase teimosa, que atravessa as provações e renasce apesar de tudo. « Essa alegria, que também conhece a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas, resiste e regenera-se entre aqueles que mantiveram o coração e a mente livres do engano da riqueza. » O Papa vê nela uma verdadeira força social e espiritual, capaz de se opor à resignação e de reabrir o futuro. Num mundo onde as lógicas económicas tendem a reduzir a realidade a mercadoria, esta alegria torna-se uma forma de resistência, até de subversão. Assim, Angola surge, na visão de Leão XIV, como um país ainda marcado por feridas profundas — a guerra, as divisões, as desigualdades — mas também como um lugar onde algo pode nascer, desde que essas tensões não sejam nem ignoradas nem absolutizadas, mas atravessadas num espírito de diálogo e conversão. A Igreja como presença que reaviva a esperança É neste contexto que o Papa situa a missão da Igreja. Recorda-lhe a sua vocação profundamente relacional e sacramental: a de reavivar a esperança onde ela se extinguiu. O Santo Padre chama a Igreja em Angola a uma presença concreta, eucarística e missionária: uma Igreja capaz de acompanhar, escutar e fazer-se próxima. « Angola, disse ele, precisa de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas e religiosos, leigas e leigos que tenham no coração o desejo de partir a sua vida e doá-la uns aos outros, de se empenhar no amor e no perdão mútuos, de construir espaços de fraternidade e paz, de realizar gestos de compaixão e solidariedade para com quem mais precisa. » Esta presença deve assumir a forma de uma existência oferecida: « tornar-nos esse pão partido que transforma a realidade ». Há aqui uma intuição fundamental. Para o Papa Leão XIV, a Igreja só é credível na medida em que entra numa lógica eucarística, aceitando deixar-se partir para que outros vivam. Isto vale para os pastores, os consagrados e para todo o povo de Deus. Assim, a evangelização não pode ser separada do testemunho. A palavra só frutifica quando é habitada; a fé só convence quando se torna visível em vidas transformadas. A necessidade de um discernimento espiritual Esta missão da Igreja não pode desenvolver-se sem um trabalho de discernimento e de acompanhamento do povo de Deus. Durante esta viagem, o Papa identificou com clareza algumas derivas que ameaçam a vida cristã no país: o sincretismo e uma forma de religiosidade utilitarista. Na missa em Kilamba, evocou o risco de um sincretismo que pode « de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual». Perante esta tentação, é necessário permanecer fiel ao ensinamento da Igreja, confiar nos pastores e manter « o olhar fixo em Jesus, que se
Visite du Pape Léon XIV en Angola : une grâce et un appel
La visite apostolique du Pape Léon XIV en Angola, du 18 au 21 avril 2026 a marqué un moment fort pour l’Église dans ce pays d’Afrique centre-australe, et particulièrement pour la Province jésuite d’Afrique centrale. Non seulement parce que ce pays fait partie de notre espace apostolique, mais aussi parce que ce déplacement semble s’inscrire dans une continuité providentielle particulière : le dernier voyage apostolique du Pape François en Afrique l’avait conduit en République démocratique du Congo, et voici que le premier du Pape Léon XIV le mène en Angola. Entre ces deux pays, il n’y a pas seulement une proximité géographique ou des histoires politiques parallèles ; il y a aussi une profondeur historique plus ancienne, faite de circulations humaines, culturelles et politiques qui précèdent largement les frontières actuelles. Une réalité qui rappelle que cet espace est, au fond, un tissu vivant, que nous héritons pour notre mission ; la Providence nous ayant réunis depuis près de 16 ans maintenant dans une même Province. Au-delà des rencontres officielles, ce voyage a été porteur d’un message clair : reconnaître les blessures du passé tout en ravivant l’espérance d’un avenir possible. L’Angola vu par le Pape Léon XIV : une terre blessée qui espère Le Saint-Père pose sur l’Angola un regard à la fois lucide et plein d’espérance. Ce qui frappe d’abord dans les paroles du pape, c’est la manière dont il tient ensemble, sans les opposer, la gravité des blessures et la force des ressources intérieures du peuple angolais. Il ne cède ni à une vision misérabiliste ni à un optimisme naïf. Il nomme avec lucidité les blessures historiques et les logiques d’exploitation qui ont marqué et continuent de marquer le pays. Dans l’image des disciples d’Emmaüs, il reconnaît une clé pour comprendre l’histoire angolaise : un « pays magnifique et meurtri qui a soif et faim d’espoir, de paix et de fraternité » ; un peuple qui marche encore, mais qui porte en lui le poids d’un passé douloureux, au point de risquer de perdre l’élan de l’espérance, souligne-t-il dans son homélie lors de la messe, le dimanche à Kilamba. Pourtant, c’est précisément là, dans la mémoire douloureuse de la guerre civile et dans la confrontation prophétique à une économie sans visage humain, que le Ressuscité vient marcher à nos côtés et raviver l’espérance. Déjà au premier jour de sa visite, devant les autorités politiques, la société civile et le corps diplomatique, l’évêque de Rome soulignait que l’Angola n’est pas une terre à piller, mais une mosaïque humaine riche de talents et de rêves. Trop souvent on a regardé l’Afrique « pour donner ou, le plus souvent, pour prendre quelque chose ». Il invitait ainsi à « briser cette chaîne d’intérêts qui réduit la réalité et la vie elle-même à une marchandise d’échange ». Pour le Pape Léon XIV, la sagesse africaine, qui reconnait « que la création est harmonie dans la richesse de la diversité », est le meilleur antidote à cette logique d’exploitation et de violence, « alimentant la pauvreté et l’exclusion ». Il exhorte les dirigeants à ne pas craindre la dissidence, à écouter les jeunes et les anciens, à transformer les conflits en « chemins de renouveau » et à placer le bien commun au-dessus des intérêts de clan. En même temps, le Saint-Père discerne quelque chose de plus profond dans le peuple angolais, qui ne se laisse pas réduire aux déterminismes : une forme de joie résistante, presque têtue, qui traverse les épreuves et renaît malgré tout. « Cette joie qui connaît aussi la douleur, l’indignation, les déceptions et les défaites, résiste et renaît chez ceux qui ont gardé leur cœur et leur esprit libres de la tromperie de la richesse. » Le pape y voit une véritable force sociale et spirituelle, capable de s’opposer à la résignation et de rouvrir l’avenir. Dans un monde où les logiques économiques tendent à réduire la réalité à une marchandise, cette joie devient une forme de résistance, voire de subversion. Ainsi, l’Angola apparaît, dans la vision de Léon XIV, comme un pays encore marqué par des blessures profondes – la guerre, les divisions, les inégalités – mais aussi comme un lieu où quelque chose peut advenir, à condition que ces tensions ne soient ni ignorées ni absolutisées, mais traversées dans un esprit de dialogue et de conversion. L’Église comme présence qui ravive l’espérance C’est dans ce contexte que le pape situe la mission de l’Église. Il lui rappelle sa vocation profondément relationnelle et sacramentelle : celle de raviver l’espérance là où elle s’est éteinte. Le Saint-Père appelle l’Église en Angola à une présence concrète, eucharistique et missionnaire : une Église capable d’accompagner, d’écouter, de se faire proche. « L’Angola, dit-il, a besoin d’évêques, de prêtres, de missionnaires, de religieuses et de religieux, de laïcs qui aient à cœur le désir de rompre leur propre vie et de la donner les uns aux autres, de s’engager dans l’amour et le pardon mutuels, de construire des espaces de fraternité et de paix, d’accomplir des gestes de compassion et de solidarité envers ceux qui en ont le plus besoin. » Cette présence se doit de prendre la forme d’une existence offerte : « devenir ce pain rompu qui transforme la réalité ». Il y a ici une intuition fondamentale. Pour le Pape Léon XIV, l’Église n’est crédible que dans la mesure où elle entre elle-même dans une logique eucharistique, où elle accepte de se laisser briser pour que d’autres vivent. Cela vaut pour les pasteurs, les consacrés, mais aussi pour l’ensemble du peuple de Dieu. Dès lors, l’évangélisation ne peut être séparée du témoignage. Autrement dit, la parole ne porte que si elle est habitée. La foi ne convainc que si elle est visible dans des existences transformées. La nécessité d’un discernement spirituel Cette mission de l’Eglise ne peut se déployer sans un travail de discernement et d’accompagnement du peuple de Dieu. Durant ce voyage, le Pape a nommé avec franchise et insistance certaines dérives qui menacent la vie chrétienne dans le pays : le syncrétisme et une forme de
Kubama (1926-2026) : un centenaire entre héritage et espérance pour la RDC
Célébrer cent ans d’existence n’est jamais un simple retour sur le passé. Pour une institution jésuite, c’est d’abord un exercice de discernement : relire une histoire, en éprouver les fidélités et les écarts, et s’ouvrir à ce qui appelle encore à naître. Le colloque organisé à Kisantu du 16 au 18 avril 2026, à l’occasion du centenaire du Collège Kubama, s’inscrit pleinement dans cette dynamique. Loin de se limiter à une commémoration, il a cherché à articuler trois dimensions essentielles : la mémoire d’un héritage, l’exigence d’un engagement présent et l’appel d’une espérance pour l’avenir. Comme l’a souligné le recteur du collège, le Père Jean-Claude Bindanda, SJ, « ce centenaire est un héritage qui nous honore, mais aussi une responsabilité qui nous engage ». Cette tension entre mémoire et responsabilité a traversé l’ensemble des travaux. En présence de Mgr Crispin Kimbeni, évêque de Kisantu, des anciens élèves, des élèves, des enseignants une question s’est imposée avec acuité : que reste-t-il aujourd’hui de la promesse éducative de Kisantu, et que peut-elle encore engendrer pour la République démocratique du Congo ? Kisantu : une genèse marquée par l’ambivalence La réflexion sur l’éducation missionnaire en Afrique centrale a longtemps oscillé entre deux lectures opposées : l’une, critique, y voit un instrument de domination coloniale ; l’autre, plus apologétique, en exalte l’œuvre civilisatrice. Le colloque de Kisantu invite à dépasser cette alternative trop simpliste. L’hypothèse qui guide cette analyse est la suivante : le projet éducatif de Kisantu, bien qu’inscrit dans un contexte colonial, a porté en lui une dynamique d’émancipation intellectuelle et sociale, rendue possible par des traits fondamentaux de la pédagogie ignatienne : le magis, la cura personalis et l’orientation vers le service. La conférence du Père Anicet N’teba Mbengi, SJ a rappelé avec rigueur les origines du projet. L’implantation jésuite dans l’État indépendant du Congo répondait à une double finalité : évangéliser et former des auxiliaires pour l’administration coloniale. Cette double orientation inscrit dès l’origine le projet dans une tension constitutive. Toutefois, l’analyse du Père N’teba a également mis en évidence une profondeur historique souvent négligée : l’héritage des premières missions jésuites au royaume du Kongo dès le XVIe siècle. Cette mémoire longue relativise l’idée d’une simple greffe coloniale. L’une des contributions majeures de cette communication réside dans la mise en lumière de la Fondation Médicale de l’Université de Louvain au Congo (FOMULAC) et du Centre agronomique de l’Université de Louvain au Congo (CADULAC), véritables matrices d’un projet universitaire. La prophétie formulée dès 1926 — voir émerger à Kisantu une université — trouvera son accomplissement avec L’université Lovanium à Kinshasa. Malgré les tensions institutionnelles qui ont accompagné ce transfert, une conviction demeure : les œuvres dépassent ceux qui les fondent. Une vision éducative intégrale : former pour servir L’intervention du Père Augustin Kalubi, SJ a recentré le débat sur l’essentiel : l’éducation jésuite ne peut se réduire à la transmission de savoirs. Elle vise la formation intégrale de la personne. Son triptyque — former la tête, le cœur et l’âme — rejoint les quatre piliers de la pédagogie ignatienne : conscience, compétence, compassion, engagement. Cette articulation confère à l’éducation une finalité claire : former des acteurs capables de transformer la société. Dans le prolongement de cette perspective, le Père Gauthier Malulu, SJ a approfondi la dimension théologique. En revisitant la devise Ad Majorem Dei Gloriam, il a montré que le magis ne relève ni de la performance ni de l’élitisme, mais d’une générosité orientée vers le service. Sa lecture kénotique de la gloire de Dieu — qui se manifeste dans l’abaissement — donne à l’engagement éducatif une profondeur spirituelle exigeante : servir davantage, c’est glorifier davantage. L’épreuve du réel : que sont devenues les élites formées ? La conférence du Père Jules Kipupu, SJ a introduit une rupture salutaire dans le ton du colloque. En posant frontalement la question de l’engagement des anciens élèves, il a déplacé le regard du projet vers ses fruits. Le constat est nuancé. Si de nombreux anciens servent avec dévouement, notamment dans des secteurs fragiles, une interrogation demeure : la formation reçue produit-elle réellement des acteurs de transformation sociale ? La question — « les jésuites sont-ils encore fiers de leurs anciens élèves ? » — a agi comme un révélateur. Sans céder au pessimisme, le Père Kipupu a appelé à une reconfiguration de la formation : renforcer l’éducation politique, favoriser l’immersion auprès des plus pauvres et intégrer l’écologie intégrale comme horizon pédagogique. L’université en crise : perte de sens ou crise de l’homme ? Le Père Alain Nkisi, auqnt à lui, a élargi la réflexion à l’échelle du système universitaire congolais. Le paradoxe qu’il met en évidence est frappant : alors que le nombre d’universités a explosé, la société semble manquer de repères. Refusant les explications simplistes, le Père Nkisi a rappelé que la dérive morale ne s’enseigne pas dans les programmes. La crise est plus profonde : elle touche à la vocation même de l’université. Être universitaire, c’est incarner un humanisme, porter des valeurs, être un repère, a-t-il souligné. Dans cette perspective, l’héritage de l’ancien CMS (Collège Moderne Scientifique) — articulation entre science et foi — apparaît comme une ressource encore féconde pour repenser un humanisme chrétien en contexte africain. Tensions et zones d’ombre Trois tensions majeures ont traversé les échanges au cours de ce colloque. D’abord, l’ambiguïté coloniale du projet, qu’aucune lecture ne peut totalement dissiper. Ensuite, la responsabilité des élites formées, confrontées à des contextes qui fragilisent les acquis éthiques. Enfin, le risque d’auto-célébration inhérent à tout centenaire. Le mérite du colloque aura été de ne pas esquiver ces questions, ouvrant ainsi un espace de discernement réel. Une boussole pour l’avenir : le Pacte éducatif global Le Pacte éducatif global du Pape François apparaît comme une grille de lecture transversale. En recentrant l’éducation sur la personne, la justice et la fraternité, il rejoint en profondeur l’intuition ignatienne du magis. Appliqué à Kubama, il invite à des choix concrets : repenser les curricula, structurer les réseaux d’anciens, renforcer l’éducation à la citoyenneté et
Dia Mundial das Vocações em Mbanza Congo
Em Mbanza Congo, a recolha preparatória para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações reuniu numerosos jovens empenhados em diversos caminhos vocacionais. Através da oração, da escuta e da reflexão, este encontro foi um convite a entrar na interioridade, lugar privilegiado de discernimento, e a deixar-se moldar por Cristo, Bom Pastor, modelo de toda a vocação. Uma diversidade de vocações em caminho No sábado, 25 de abril, realizou-se em Mbanza Congo a recolha preparatória para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Participaram neste tempo forte espiritual: os seminaristas do Seminário Menor São Salvador, as aspirantes das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria e das Irmãs Franciscanas do Verbo Encarnado, os jovens dos grupos vocacionais das paróquias São Francisco de Assis (confiada aos jesuítas) e Nossa Senhora da Imaculada Conceição (catedral diocesana), bem como os do Centro Pastoral São Pedro (confiado aos Capuchinhos). Esta diversidade de participantes testemunhava a vitalidade dos caminhos vocacionais e a riqueza dos carismas presentes na Igreja local. A interioridade, caminho de encontro com Deus Sob o tema «A descoberta interior do dom de Deus», em sintonia com a mensagem do Santo Padre para o 63.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a recolha convidou os jovens a entrar numa dinâmica de interioridade. O caminho da interioridade é um caminho de encontro com Deus. Trata-se de um percurso que passa pelo silêncio, pela escuta atenta da voz que ressoa no mais profundo do coração, sublinhou o pregador, o Padre Tekadiomona Nima. «A descoberta e o desenvolvimento da vocação convidam os cristãos – especialmente os jovens – a dedicar tempo ao silêncio para mergulhar na oração. Assim, a interioridade torna-se o lugar privilegiado de surgimento e de amadurecimento de toda a vocação», afirmou aos participantes. Num mundo marcado pelo ruído e pela dispersão, torna-se essencial criar espaços de recolhimento onde a voz de Deus possa ser escutada. A interioridade revela-se, assim, como «o lugar privilegiado de surgimento e de amadurecimento de toda a vocação». A partir do relato da vocação do jovem Samuel (1 Sm 3, 1-10.19-20), o Padre Tekadiomona insistiu na importância do acompanhamento espiritual no caminho vocacional. Aprender a reconhecer os movimentos interiores, deixar-se guiar e permanecer atento à presença de Deus constituem etapas essenciais deste percurso. A «oração do coração» foi proposta como um caminho concreto para habitar esta relação viva com o Senhor. Cristo, Bom Pastor, modelo de toda a vocação No domingo, 26 de abril, todos os participantes da recolha participaram na celebração eucarística na catedral de Mbanza Congo. A missa foi presidida pelo P. Tekadiomona Nima, SJ, também pregador da recolha, concelebrada pelo P. Lucien Nzamba, reitor do seminário menor, e pelo padre João Moio, antigo assistente do reitor. Na sua homilia, o celebrante desenvolveu o tema do Bom Pastor, no centro da liturgia do dia. Deus revela-se como o pastor fiel do seu povo, que nunca o abandona e continua a conduzi-lo por caminhos de salvação. Em Jesus Cristo, esta imagem cumpre-se plenamente: Ele é o pastor que conhece as suas ovelhas, caminha à sua frente e dá a vida por elas. À sua imagem, os fiéis são chamados a viver na confiança e a tornarem-se, por sua vez, pastores para os seus irmãos e irmãs, ao serviço da vida, da comunhão e da paz. Um compromisso luminoso para o futuro No final da homilia, os jovens dos grupos vocacionais das diferentes paróquias realizaram um gesto significativo: de vela acesa na mão, comprometeram-se a imitar Cristo, Bom Pastor, e a irradiar a sua luz neste mundo que tanto dela necessita. Este sinal simples, mas profundamente expressivo, manifestava o seu desejo de responder ao chamamento do Senhor e de se tornarem, cada um segundo a sua vocação, testemunhas do seu amor. Tekadiomona Nima, SJ – Mbanza Congo