Por ocasião do centenário do seu nascimento e do trigésimo aniversário do seu martírio, o Centro Arrupe para a Investigação e Formação (CARF), a Universidade Loyola do Congo (ULC) e as Redes D. Munzihirwa organizam, de 29 a 31 de outubro de 2026, em Lubumbashi, a terceira edição do Simpósio Internacional D. Christophe Munzihirwa, SJ. Sob o tema do papel do seu legado na procura da paz na República Democrática do Congo, este encontro convida a redescobrir o percurso de um pastor que fez da defesa dos mais vulneráveis uma exigência da sua missão. A 29 de outubro de 1996, D. Christophe Munzihirwa, SJ, arcebispo de Bukavu, foi assassinado enquanto permanecia junto do seu povo, no coração da violência que assolava o leste da República Democrática do Congo. Tinha denunciado a invasão do seu país, alertado para o sofrimento das populações e recusado calar-se perante a instrumentalização da violência na região dos Grandes Lagos. Trinta anos depois, a sua voz continua a ecoar. Não apenas por ter sido uma figura marcante da Igreja no Congo, mas também porque o seu percurso coloca uma questão sempre atual: o que significa ser pastor quando a população está ameaçada, as instituições têm dificuldade em protegê-la e a violência parece impor-se como uma fatalidade? É em torno desta questão que se realiza, de 29 a 31 de outubro de 2026, no Centro Arrupe para a Investigação e Formação (CARF), em Lubumbashi, a terceira edição do Simpósio Internacional D. Christophe Munzihirwa, SJ. Esta edição reveste-se de um significado particular: insere-se nas comemorações do centenário do seu nascimento (1926-2026) e do trigésimo aniversário do seu assassinato (1996-2026). Organizado pelo CARF, em colaboração com a Universidade Loyola do Congo e as Redes D. Munzihirwa, sob o alto patrocínio da Província da África Central da Companhia de Jesus (ACE) e da Arquidiocese de Lubumbashi, o encontro tem como tema: «D. Christophe Munzihirwa, SJ, e os desafios da paz na RDC: que contributos para o Pacto Social para a convivência?» Um percurso marcado pela proximidade aos mais vulneráveis Christophe Munzihirwa Mwene Ngabo nasceu em 1926, em Lukumbo, na paróquia de Burhale, no Kivu do Sul. Na língua shi, o seu nome, Munzihirwa, significa «aquele para quem se canta ou dança», enquanto Mwene Ngabo se traduz por «filho do povo» ou «homem do povo». Desde cedo atraído pela vocação sacerdotal, iniciou a sua formação no seminário menor de Mugeri, antes de prosseguir os estudos de Filosofia e Teologia nos seminários maiores de Nyakibanda e Moba (Baudouinville). Foi ordenado sacerdote diocesano em 1958. Cinco anos mais tarde, em 1963, entrou na Companhia de Jesus. Pronunciou os primeiros votos a 8 de setembro de 1965 e, posteriormente, prosseguiu estudos em Ciências Sociais. O seu percurso levou-o a assumir várias responsabilidades na Igreja e na Companhia. Depois de exercer o cargo de Superior Provincial dos Jesuítas da África Central (1980-1986), foi nomeado bispo coadjutor de Kasongo. A sua ordenação episcopal teve lugar em Roma, a 9 de novembro de 1986. Assumiu a direção da diocese em 1990. A 15 de setembro de 1993, foi nomeado administrador apostólico de Bukavu, antes de se tornar arcebispo em 1995. Estas funções, porém, não o afastaram daqueles que viviam na precariedade. Pelo contrário, fez da proximidade a essas pessoas uma dimensão essencial do seu compromisso. A simplicidade de vida é disso testemunho: mesmo depois de se tornar arcebispo, manteve-se fiel a uma sobriedade radical, em consonância com o espírito de pobreza a que se comprometera como jesuíta. Esta simplicidade não era apenas uma disposição pessoal. Traduzia uma forma de conceber a autoridade: não como uma proteção que permite manter distância do sofrimento, mas como uma responsabilidade que exige partilhá-lo e procurar responder-lhe. Um homem da Igreja que se recusa a guardar silêncio A coragem de D. Munzihirwa manifestou-se muito antes do seu episcopado. Em junho de 1971, na sequência de importantes manifestações estudantis em Lovanium, em Kinshasa, o regime de Mobutu decidiu encerrar temporariamente a universidade e incorporar à força os estudantes no exército zairense. Christophe Munzihirwa, então sacerdote jesuíta e vigário da paróquia universitária, escolheu partilhar a sorte dos estudantes que estavam ao seu cuidado, apresentando-se também para o recrutamento militar. Este gesto de solidariedade já revelava uma convicção que marcaria toda a sua vida: um pastor não pode manter-se à margem das provações daqueles que lhe foram confiados. Mais tarde, como bispo de Kasongo, não hesitou em interpelar publicamente os militares pelos abusos cometidos contra a população. Perante responsáveis que poderiam fazê-lo pagar por essa tomada de posição, manteve a sua palavra e assumiu o risco do confronto. Recusou igualmente procurar o favor do regime de Mobutu Sese Seko quando isso implicasse silenciar as injustiças (cf. Friends of Ignatius: Christophe Munzihirwa). Esta liberdade de palavra levou a que fosse comparado a figuras proféticas da Igreja, nomeadamente a São Óscar Romero, arcebispo salvadorenho assassinado pelo seu compromisso em favor dos pobres e das vítimas da violência. No centro da tragédia dos Grandes Lagos, defender a vida Quando o genocídio ruandês eclodiu, em abril de 1994, Bukavu, cidade fronteiriça de que D. Munzihirwa era então administrador apostólico, acolheu milhares de pessoas que fugiam dos massacres, na sua maioria tutsis. Após o fim do genocídio, outros refugiados, nomeadamente hutus, atravessaram também a fronteira, alguns receando represálias. Num contexto em que as pertenças étnicas se tornavam linhas de fratura e a desconfiança alimentava a violência, Munzihirwa defendeu uma exigência difícil: denunciou a violência mortífera e apelou à proteção das populações civis e ao respeito pela vida, sem distinção de origem étnica. O seu compromisso não se limitava às intervenções públicas. Acompanhava as pessoas em sofrimento e mobilizava a comunidade para ajudar crianças, idosos e doentes a escapar aos perigos. Opôs-se também ao regresso forçado dos refugiados. Para ele, ninguém deveria ser obrigado a regressar a uma situação em que a sua vida estivesse gravemente ameaçada. Num contexto de ódio e represálias, manteve assim uma exigência evangélica: a caridade deve estender-se a todos. Nas suas intervenções, alertou as autoridades
Trente ans après, la voix de Mgr Christophe Munzihirwa résonne encore
À l’occasion du centenaire de sa naissance et du trentième anniversaire de son martyre, le Centre Arrupe pour la Recherche et la Formation (CARF), l’Université Loyola du Congo (ULC) et les Réseaux Mgr Munzihirwa organisent, du 29 au 31 octobre 2026, à Lubumbashi, la troisième édition du Symposium international Mgr Christophe Munzihirwa, SJ. Placée sous le thème du rôle de son héritage dans la recherche de la paix en République démocratique du Congo, cette rencontre invite à redécouvrir le parcours d’un pasteur qui a fait de la défense des plus vulnérables une exigence de sa mission. Le 29 octobre 1996, Mgr Christophe Munzihirwa, SJ, archevêque de Bukavu, était assassiné alors qu’il demeurait auprès de son peuple, au cœur des violences qui ravageaient l’est de la République démocratique du Congo. Il avait dénoncé l’invasion de son pays, alerté sur les souffrances des populations et refusé de se taire devant l’instrumentalisation de la violence dans la région des Grands Lacs. Trente ans plus tard, sa voix continue de résonner. Non seulement parce qu’il fut une figure marquante de l’Église au Congo, mais aussi parce que son parcours pose une question toujours actuelle : que signifie être pasteur lorsque la population est menacée, que les institutions peinent à la protéger et que la violence semble s’imposer comme une fatalité ? C’est autour de cette interrogation que se tient, du 29 au 31 octobre 2026, au Centre Arrupe pour la Recherche et la Formation (CARF), à Lubumbashi, la troisième édition du Symposium international Mgr Christophe Munzihirwa, SJ. Cette édition revêt une signification particulière : elle s’inscrit dans le cadre du centenaire de sa naissance (1926-2026), et du trentième anniversaire de son assassinat (1996-2026). Organisée par le CARF, en collaboration avec l’Université Loyola du Congo et les Réseaux Mgr Munzihirwa, sous le haut patronage de la Province d’Afrique Centrale de la Compagnie de Jésus (ACE) et de l’Archidiocèse de Lubumbashi, la rencontre porte sur le thème : « Mgr Christophe Munzihirwa, SJ, et les défis de la paix en RDC : quelles contributions au Pacte social pour le vivre-ensemble ? » Un parcours marqué par la proximité avec les plus vulnérables Christophe Munzihirwa Mwene Ngabo naît en 1926 à Lukumbo, dans la paroisse de Burhale, au Sud-Kivu. En langue shi, son nom, Munzihirwa, signifie « celui pour qui l’on chante ou danse », tandis que Mwene Ngabo se traduit par « fils du peuple » ou « homme du peuple ». Très tôt attiré par la vocation sacerdotale, il commence sa formation au petit séminaire de Mugeri, avant de poursuivre ses études de philosophie et de théologie aux grands séminaires de Nyakibanda et de Moba (Baudouinville). Il est ordonné prêtre diocésain en 1958. Cinq ans plus tard, en 1963, il entre dans la Compagnie de Jésus. Il prononce ses premiers vœux le 8 septembre 1965 et entreprend ensuite des études en sciences sociales. Son parcours le conduit à exercer plusieurs responsabilités au sein de l’Église et de la Compagnie. Après avoir assumé la charge de supérieur provincial des jésuites d’Afrique centrale (1980-1986), il est nommé évêque coadjuteur de Kasongo. Son ordination a lieu à Rome le 9 novembre 1986. Il prend la tête du diocèse en 1990. Le 15 septembre 1993, il est nommé administrateur apostolique de Bukavu, avant d’en devenir archevêque en 1995. Ces fonctions ne l’éloignent pourtant pas de ceux qui vivent dans la précarité. Au contraire, il fait de leur proximité une dimension essentielle de son engagement. Sa simplicité de vie en témoigne : même devenu archevêque, il reste attaché à une sobriété radicale, fidèle à l’esprit de pauvreté auquel il s’est engagé comme jésuite. Cette simplicité n’est pas seulement une disposition personnelle. Elle traduit une manière de concevoir l’autorité : non comme une protection permettant de se tenir à distance des souffrances, mais comme une responsabilité qui engage à les partager et à y répondre. Un homme d’Église qui refuse le silence Le courage de Mgr Munzihirwa se manifeste bien avant son épiscopat. En juin 1971, après d’importantes manifestations estudiantines à Lovanium, à Kinshasa, le régime de Mobutu décide de fermer temporairement l’université et d’incorporer de force les étudiants dans l’armée zaïroise. Christophe Munzihirwa, alors prêtre jésuite et vicaire à la paroisse universitaire, choisit de partager le sort des étudiants dont il avait la charge, en se présentant lui aussi pour l’enrôlement. Ce geste de solidarité illustre déjà une conviction qui traversera toute sa vie : un pasteur ne peut se tenir à l’écart des épreuves de ceux qui lui sont confiés. Plus tard, comme évêque de Kasongo, il n’hésite pas à interpeller publiquement les militaires sur les abus commis contre la population. Face à des responsables susceptibles de lui faire payer cette prise de position, il maintient sa parole et assume le risque de l’affrontement. Il refuse également de rechercher la faveur du régime de Mobutu Sese Seko lorsque celle-ci exigerait de taire les injustices (cf. https://www.jesuits.org/stories/friends-of-ignatius-christophe-munzihirwa/ ). Cette liberté de parole lui vaut d’être rapproché de figures prophétiques de l’Église, notamment saint Oscar Romero, archevêque salvadorien assassiné pour son engagement en faveur des pauvres et des victimes de la violence. Au cœur de la tragédie des Grands Lacs, défendre la vie Lorsque le génocide rwandais éclate en avril 1994, Bukavu, ville frontalière dont Mgr Munzihirwa est alors administrateur apostolique, accueille des milliers de personnes fuyant les massacres, en majorité des Tutsi. Après la fin du génocide, d’autres réfugiés, notamment des Hutu, franchissent à leur tour la frontière, certains redoutant les représailles. Dans ce contexte où les appartenances ethniques deviennent des lignes de fracture et où la méfiance alimente les violences, Munzihirwa défend une exigence difficile : il dénonce la violence meurtrière et plaide pour la protection des populations civiles ainsi que le respect de la vie, sans distinction d’origine ethnique. Son engagement ne se limite pas aux prises de parole. Il accompagne les personnes en détresse ; il mobilise la communauté pour aider les enfants, les personnes âgées et les malades à échapper aux dangers. Il s’oppose également aux