O Pe. Dominique Dhedya Bamunoba, SJ, assumiu funções como novo Provincial dos Jesuítas da África Central (ACE), na quinta-feira, 30 de julho de 2026, durante uma celebração eucarística presidida pelo Pe. Rigobert Kyungu Musenge, SJ, Provincial cessante. Na véspera da solenidade de Santo Inácio de Loyola, a capela da Casa Santo Inácio acolheu uma celebração sóbria, festiva e marcada pela emoção, reunindo jesuítas residentes em Kinshasa ou de passagem pela capital. Christian Kombe, SJ Os companheiros de Jesus da África Central reuniram-se na noite de 30 de julho, na capela da Casa Santo Inácio, para participar na Missa que assinalou a tomada de posse do novo Provincial da ACE, o Pe. Dominique Dhedya Bamunoba, SJ. Esta celebração constituiu uma ocasião para dar graças pelos seis anos de serviço do Pe. Rigobert Kyungu Musenge, SJ, e para confiar ao Senhor a nova missão do Pe. Dhedya. No início da celebração, o Pe. Kyungu agradeceu calorosamente aos companheiros presentes. Na sua homilia, evocou a memória de São Pedro Crisólogo, bispo e doutor da Igreja. À semelhança daquele que a tradição apelidou de «palavra de ouro», convidou os jesuítas a anunciarem uma palavra que edifique e alimente o povo de Deus, sobretudo através dos seus diversos ministérios da Palavra. Apoiando-se depois nas leituras do dia, exortou a assembleia a colocar a sua confiança em Deus, deixando-se moldar e conduzir pelo Senhor, como o barro nas mãos do oleiro. Uma atitude de fé particularmente importante num tempo de transição como o que a Província atravessa atualmente. Passagem de testemunho Após a homilia, o Provincial cessante procedeu à leitura da carta de nomeação e do decreto do Padre Geral que designa o Pe. Dhedya como Superior Provincial da África Central. Concluída a leitura, o novo Provincial, ajoelhado diante do altar, professou o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. A celebração prosseguiu com o gesto simbólico da traditio instrumentorum, que assinalou oficialmente a transmissão do cargo. O Pe. Kyungu entregou ao seu sucessor vários documentos fundamentais da Companhia de Jesus: as Constituições e as Normas Complementares, as Diretivas para os Provinciais, o Manual Prático do Direito da Companhia, a Practica Quaedam, os Estatutos da Pobreza Religiosa da Companhia de Jesus, a Instrução sobre a Administração e as Finanças, bem como os decretos da 36.ª Congregação Geral. A celebração eucarística prosseguiu depois normalmente, sendo animada pelo coro dos escolásticos. «Manter os olhos fixos em Cristo» No final da Eucaristia, o Pe. Dominique Dhedya tomou a palavra. Começou por agradecer ao Pe. Kyungu por ter querido colocar esta passagem de responsabilidades sob o sinal da Eucaristia. Segundo afirmou, esta opção constitui um convite dirigido a toda a Província para manter os olhos fixos em Cristo, Mestre e Autor da missão. Retomando as palavras de Jesus: «Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi», o novo Provincial partilhou o sentimento interior que o acompanha desde a sua nomeação: o de se saber simplesmente escolhido pelo Senhor, como qualquer jesuíta, para responder ao seu chamamento e cumprir fielmente a missão recebida. Recordar que é Deus quem toma sempre a iniciativa da missão convida cada um a permanecer profundamente unido a Ele, sobretudo através da oração, para discernir a sua vontade e deixar que as decisões sejam inspiradas pelo seu Espírito. «Se cada um de nós rezar verdadeiramente, saberemos pôr-nos de acordo para servir juntos a missão», declarou. O Pe. Dhedya convidou depois toda a assembleia a dar graças pelos seis anos de serviço generoso do Pe. Kyungu. Pelos numerosos êxitos alcançados, importa agradecer a Deus; quanto ao que não correspondeu plenamente às expectativas, cada um é chamado a demonstrar a mesma indulgência que espera para as suas próprias limitações e fracassos. Dirigindo-se, por fim, ao Provincial cessante, exortou-o a viver fielmente a nova missão que lhe foi confiada: dedicar tempo ao descanso físico e ao renovamento espiritual durante o seu ano sabático. Assegurou-lhe ainda que as orações de toda a Província o acompanharão nesta nova etapa do seu caminho. Um momento de fraternidade Após a celebração, os participantes reuniram-se à volta de um copo de amizade oferecido pela Casa Santo Inácio. Este momento fraterno permitiu a todos saudar o Provincial cessante, felicitar o seu sucessor e confiar ao Senhor esta nova etapa da vida da Província da África Central.
Le P. Dominique Dhedya, SJ, prend ses fonctions comme nouveau Provincial de l’ACE
Le P. Dominique Dhedya Bamunoba, SJ, a pris ses fonctions comme nouveau Provincial des Jésuites d’Afrique centrale (ACE) le jeudi 30 juillet 2026, au cours d’une célébration eucharistique présidée par le P. Rigobert Kyungu Musenge, SJ, Provincial sortant. À la veille de la solennité de saint Ignace de Loyola, la chapelle de la Maison Saint Ignace a accueilli une célébration sobre, joyeuse et empreinte d’émotion, réunissant des jésuites résidant à Kinshasa ou de passage dans la capitale. Christian Kombe, SJ Les compagnons de Jésus en Afrique centrale se sont retrouvés dans la soirée du 30 juillet à la chapelle de la Maison Saint Ignace pour participer à la messe marquant la prise de fonction du nouveau Provincial de l’ACE, le P. Dominique Dhedya Bamunoba, SJ. Cette célébration était l’occasion de rendre grâce pour les six années de service du P. Rigobert Kyungu Musenge, SJ et de confier au Seigneur la nouvelle mission du P. Dhedya. Au début de la célébration, le P. Kyungu a chaleureusement remercié les compagnons présents. Dans son homélie, il a évoqué la mémoire de saint Pierre Chrysologue, évêque et docteur de l’Église. À l’exemple de celui que la tradition a surnommé « la parole d’or », il a invité les jésuites à porter une parole qui édifie et nourrit le peuple de Dieu, notamment à travers leurs différents ministères de la Parole. S’appuyant ensuite sur les lectures du jour, il a exhorté l’assemblée à mettre sa confiance en Dieu, à se laisser façonner et conduire par le Seigneur comme l’argile entre les mains du potier. Une attitude de foi particulièrement importante dans un temps de transition comme celui que traverse actuellement la Province. Passage de témoin Après l’homélie, le Provincial sortant a procédé à la lecture de la lettre de nomination et du décret du Père Général désignant le P. Dhedya comme Supérieur provincial de l’Afrique centrale. À l’issue de cette lecture, le nouveau Provincial, agenouillé devant l’autel, a professé le Symbole de Nicée-Constantinople. La célébration s’est poursuivie par un geste symbolique de traditio instrumentorum, marquant officiellement la transmission de la charge. Le P. Kyungu a remis à son successeur plusieurs documents fondamentaux de la Compagnie de Jésus : les Constitutions et les Normes complémentaires, les Directives pour les Provinciaux, le Manuel pratique du droit de la Compagnie, la Practica Quaedam, les Statuts de la pauvreté religieuse de la Compagnie de Jésus et l’Instruction sur l’administration et les finances, ainsi que les décrets de la 36e Congrégation générale. La célébration eucharistique s’est ensuite poursuivie normalement, animée par la chorale des scolastiques. « Garder les yeux fixés sur le Christ » Au terme de l’Eucharistie, le P. Dominique Dhedya a pris la parole. Il a d’abord remercié le P. Kyungu d’avoir voulu inscrire cette passation de charge sous le signe de l’Eucharistie. Selon lui, ce choix constitue une invitation adressée à toute la Province à garder les yeux fixés sur le Christ, maître et auteur de la mission. Revenant sur les paroles de Jésus : « Ce n’est pas vous qui m’avez choisi, c’est moi qui vous ai choisis », le nouveau Provincial a confié le sentiment intérieur qui l’habite depuis sa nomination : celui de se savoir simplement choisi par le Seigneur, comme tout jésuite, pour répondre à son appel et accomplir fidèlement la mission reçue. Se rappeler que c’est Dieu qui prend toujours l’initiative de la mission invite chacun à demeurer profondément uni à lui, particulièrement dans la prière, afin de discerner sa volonté et de laisser les décisions s’inspirer de son Esprit. « Si chacun de nous prie véritablement, nous saurons nous accorder pour servir ensemble la mission », a-t-il déclaré. Le P. Dhedya a ensuite invité toute l’assemblée à rendre grâce pour les six années de service généreux du P. Kyungu. Pour les nombreuses réussites, il convient de remercier Dieu ; quant à ce qui n’a pas répondu à toutes les attentes, chacun est appelé à faire preuve de la même indulgence que celle qu’il espère pour ses propres limites et ses propres échecs. S’adressant enfin au Provincial sortant, il l’a exhorté à vivre fidèlement la nouvelle mission qui lui est confiée : prendre le temps de se reposer physiquement et de se ressourcer spirituellement au cours de son année sabbatique. Il lui a assuré que les prières de toute la Province l’accompagneraient dans cette nouvelle étape de son chemin. Un moment de fraternité Après la célébration, les participants se sont retrouvés autour d’un verre de l’amitié offert par la Maison Saint Ignace. Ce moment fraternel a permis à chacun de saluer le Provincial sortant, de féliciter son successeur et de confier au Seigneur cette nouvelle étape de la vie de la Province d’Afrique centrale.
Seis anos ao serviço da missão: Entrevista com o Pe. Rigobert Kyungu, SJ
No termo do seu mandato como Superior Provincial dos Jesuítas da África Central (2020-2026), o Pe. Rigobert Kyungu Musenge, SJ, faz um balanço de seis anos de serviço marcados pela fé e pela esperança. Evoca os principais acontecimentos que marcaram o seu provincialato: a pandemia da Covid-19, os conflitos no leste da República Democrática do Congo, as visitas dos Papas Francisco e Leão XIV, bem como o desenvolvimento da missão jesuíta na República Democrática do Congo e em Angola. Partilha igualmente o seu olhar sobre a formação dos jovens jesuítas, os desafios da vida religiosa nos dias de hoje e as esperanças que alimenta para o futuro da Província. Nesta entrevista, oferece um testemunho marcado pela fé, pelo realismo e pela ação de graças, convicto de que, apesar das provações, «a missão pertence ao próprio Deus». Entrevista conduzida por Christian Kombe, SJ Nomeado a 6 de novembro de 2019, assumi funções como Provincial da África Central a 31 de julho de 2020. Concluo agora os meus seis anos de mandato neste dia 31 de julho de 2026. Os acontecimentos que marcaram este período foram numerosos. Iniciei o meu mandato em plena crise da pandemia de Covid-19. O primeiro desafio consistiu em visitar as comunidades jesuítas na República Democrática do Congo e em Angola, bem como os jesuítas em missão fora da Província. Graças a Deus, essas visitas puderam realizar-se, embora fosse necessário submeter-me a um teste médico antes de cada viagem. Ao todo, fiz mais de cinquenta testes em diferentes cidades dos muitos países que visitei, cada um com as suas exigências ou os seus caprichos. Também me expus ao risco, pois passei por zonas perigosas e encontrei pessoas já infetadas. Mas era movido por um zelo interior que me ajudava a vencer o medo e a seguir sempre em frente. Curiosamente, termino o meu mandato numa altura em que outra epidemia assola a República Democrática do Congo: a doença pelo vírus Ebola, sobretudo no leste do país. Por causa desta crise sanitária, perdi a oportunidade de realizar uma última visita canónica às nossas comunidades de Bukavu e Goma. Os companheiros e as populações desta região do Congo sofrem as consequências da ocupação dos rebeldes da AFC/M23 desde janeiro-fevereiro de 2025, bem como do encerramento das fronteiras, que durou mais de um mês devido ao surto de Ebola. Partilho esta dor no meu coração e na minha própria carne; confio os meus confrades e as populações destas regiões à benevolência de Deus. No seio da Província, não posso deixar de mencionar a experiência de acompanhar confrades em fim de vida ou de organizar as exéquias dos que partiram. Durante o meu provincialato, cerca de vinte membros da nossa Província faleceram, sobretudo no Congo, mas também na Bélgica, em Espanha e até na Índia. Vivi cada uma dessas mortes com profunda gravidade. Tive a graça de partilhar com eles as últimas conversas e, em alguns casos, encontrei-me junto do seu leito quando entravam na agonia. Foram momentos de profunda comunhão e de uma intensidade espiritual indescritível. Apesar da dor sentida, vivi esses momentos com grande consolação interior, ao perceber que os meus companheiros morriam verdadeiramente e literalmente «nas mãos de Deus», isto é, «no Senhor». Receberam realmente a graça de uma boa morte! Guardo uma lembrança especial de cada um deles. Que descansem em paz! Estes anos ficaram igualmente marcados pela visita do Papa Francisco ao Congo (2023) e pela do Papa Leão XIV a Angola (2026). No Congo, o Santo Padre reservou um tempo para um encontro privado com os jesuítas. Tive o privilégio de conduzir a delegação e de me sentar ao lado de Sua Santidade para traduzir para italiano as perguntas dos meus companheiros e para francês as respostas do Papa. Foi o meu décimo encontro com o Papa Francisco; já o tinha encontrado várias vezes em Roma, em diferentes circunstâncias. Durante a sua visita ao Congo, eu era Presidente da COSUMA (Conferência dos Superiores Maiores). Também aí desempenhei um papel particular: negociei para que um grupo de Provinciais e Superioras Provinciais pudesse cumprimentar Sua Santidade; conduzi a oração que precedeu o encontro do Papa com os consagrados na Catedral de Nossa Senhora do Congo, em Kinshasa, entre outras responsabilidades. Infelizmente, não estive presente durante a visita do Papa Leão XIV a Angola. No entanto, acompanhei à distância as notícias da sua viagem apostólica. Há, evidentemente, uma diferença em relação ao Papa Francisco: é que este era jesuíta! Entre os acontecimentos marcantes destes seis anos de serviço conta-se também a implementação da gratuitidade do ensino primário e secundário em condições particularmente difíceis. Daí resultou, nomeadamente, uma greve dos professores em plena crise da Covid-19. Que provação para o nosso apostolado da educação no Congo! Ao mesmo tempo, internamente, a Província viveu igualmente muitos motivos de ação de graças: as numerosas entradas no noviciado, as ordenações diaconais e sacerdotais, os últimos votos e tantas outras celebrações que marcaram a nossa vida apostólica. Não me demorarei sobre elas neste momento. Nenhum destes acontecimentos pode deixar-nos indiferentes. Todos eles nos afetam e suscitam consolação ou desolação. Chorei quando era necessário; também ri, cantei e dancei quando chegou o momento de o fazer. Em suma, procurei tirar lições de cada acontecimento, tanto para a minha vida como para a forma de exercer o serviço de Provincial. Com o tempo, aprende-se a transformar a experiência numa ajuda para enfrentar os desafios. Na minha opinião, compete antes aos outros discernir qual foi a graça própria do meu serviço como Provincial. Quando entro em mim mesmo, dou-me conta de que fiz sobretudo a experiência da permanência da graça de Deus. Posso dizer que a «graça de estado» foi uma realidade para mim. Compreendi ainda mais profundamente que a missão pertence ao próprio Deus, que é quem conduz o seu destino. Eu fui apenas um instrumento para permitir que Deus realizasse o seu desígnio, e foi com muita fé que vivi os diversos acontecimentos da Província. O que aprendi sobre mim mesmo? Descobri em mim
Six années au service de la mission: Entretien avec le P. Rigobert Kyungu, SJ
Au terme de son mandat comme Supérieur provincial des jésuites d’Afrique Centrale (2020-2026), le P. Rigobert Kyungu Musenge, SJ, revient sur six années de service marquées par la foi et l’espérance. Il évoque les principaux événements qui ont jalonné son provincialat : la pandémie de Covid-19, les conflits dans l’est de la RDC, les visites des Papes François et Léon XIV, ainsi que le développement de la mission jésuite en RDC et en Angola. Il partage également son regard sur la formation des jeunes jésuites, les défis de la vie religieuse aujourd’hui et les espérances qu’il nourrit pour l’avenir de la Province. Dans cet entretien, il livre un témoignage empreint de foi, de réalisme et d’action de grâce, convaincu que, malgré les épreuves, « la mission appartient à Dieu lui-même ». Propos recueillis par Christian Kombe, SJ Nommé le 6 novembre 2019, je suis entré en fonction comme Provincial d’Afrique centrale le 31 juillet 2020. J’achève mes six ans de mandat ce 31 juillet 2026. Les événements qui ont marqué cette période sont nombreux. J’ai commencé mon mandat en pleine crise de la pandémie de Covid-19. Le premier défi fut celui de visiter les communautés jésuites en RDC et en Angola, ainsi que les jésuites en mission en dehors de la Province. Grâce à Dieu, ces visites ont pu s’effectuer, même s’il fallait passer par l’exigence d’un test médical avant chaque voyage. Ainsi ai-je effectué plus de 50 tests dans différentes villes de nombreux pays visités, chacun ayant ses exigences ou ses caprices. Je me suis aussi exposé, car je suis passé par des zones à risque et j’ai rencontré des personnes déjà infectées. Mais j’étais poussé par un zèle intérieur qui m’aidait à braver la peur et à toujours aller de l’avant. Curieusement, je termine mon mandat alors que sévit une autre épidémie en RDC, celle de la maladie à virus Ebola, principalement dans l’Est du pays. A cause de cette crise sanitaire, j’ai raté l’occasion d’effectuer une dernière visite canonique à nos communautés de Bukavu et de Goma. Les compagnons et les populations de cette partie de la RDC sont frappés par les conséquences de l’occupation des rebelles de l’AFC/M23 depuis janvier-février 2025, ainsi que par la fermeture des frontières, qui a duré plus d’un mois, à cause de l’épidémie du virus Ebola. Je partage cette douleur dans mon cœur et dans ma chair ; je confie mes confrères et les populations de ces zones, à la bienveillance de Dieu. Au sein de la Province, je ne peux passer sous silence l’expérience d’accompagner les mourants ou d’organiser les funérailles des confrères décédés. Durant mon provincialat, une vingtaine de membres de notre Province sont morts, principalement en RDC, en Belgique, en Espagne, voire en Inde. J’ai vécu chacun de ces décès avec gravité. J’ai eu la grâce de bénéficier des dernières conversations avec eux et pour certains, je me suis même retrouvé au chevet de leur lit alors qu’ils entraient dans leur agonie. Ce sont des moments de profonde communion et d’une intensité spirituelle indescriptible. Malgré la douleur éprouvée, j’ai vécu ces moments avec une grande consolation intérieure, en réalisant que mes compagnons mouraient vraiment et littéralement « entre les mains de Dieu », c’est-à-dire « dans le Seigneur ». Ils ont vraiment eu la grâce d’une bonne mort ! Je garde une pensée particulière à l’égard de chacun d’eux ; qu’ils reposent en paix ! Ces années ont aussi été marquées par la visite du Pape François en RDC (2023) et du Pape Léon XIV en Angola (2026). En RDC, le Saint-Père avait réservé du temps pour une rencontre privée avec les jésuites. J’ai eu le privilège de conduire la délégation et de m’asseoir à côté de Sa Sainteté, pour traduire les questions de mes compagnons en italien pour le Pape, et ses réponses en français pour eux. Ce fut ma dixième rencontre avec le Pape François ; j’ai pu le rencontrer à plusieurs reprises auparavant à Rome, dans diverses circonstances. Lors de sa visite en RDC, j’étais le président de la COSUMA (Conférence des Supérieurs Majeurs). Là aussi, j’ai eu à jouer un rôle particulier ; j’ai négocié pour qu’un groupe de provinciaux et provinciales puisse serrer la main de sa Sainteté ; j’ai animé la prière précédant la rencontre du Pape avec les consacrés dans la cathédrale Notre-Dame du Congo à Kinshasa, etc. Malheureusement, je n’ai pas été présent lors de la visite du Pape Léon XIV en Angola. Mais j’ai suivi de loin les nouvelles de son voyage apostolique. Il y a une différence avec le Pape François, car ce dernier était jésuite ! Parmi les événements marquants de mes six années de service figure la mise en œuvre de la gratuité de l’enseignement primaire et secondaire dans des conditions particulièrement difficiles. Il s’ensuivit notamment une grève des enseignants en pleine crise de la Covid-19. Quelle épreuve pour notre apostolat de l’éducation en RDC ! Par ailleurs, à l’interne, la Province a également connu de nombreux motifs d’action de grâce : les nombreuses entrées au noviciat, les ordinations diaconales et sacerdotales, les derniers vœux, ainsi que d’autres célébrations qui ont rythmé notre vie apostolique. Je ne m’y attarderai pas ici. Tous ces événements ne peuvent laisser indifférent. Ils affectent nécessairement ; ils provoquent la consolation ou la désolation. J’ai pleuré lorsqu’il le fallait, j’ai aussi ri, chanté et dansé lorsqu’il le fallait. Somme toute, j’ai tiré des leçons de chaque événement, tant pour ma vie que pour ma manière de servir comme Provincial. Avec le temps, l’on finit par tirer profit de l’expérience pour relever les défis rencontrés. A mon avis, il appartient à d’autres de déceler la grâce propre de mon service en tant que Provincial. En rentrant en moi-même, je réalise que j’ai plutôt fait l’expérience de la permanence de la grâce de Dieu. Je peux dire que la « grâce d’état » a été une réalité pour moi. J’ai davantage compris que la mission appartient à Dieu lui-même, qui en conduit le destin. Je n’ai été qu’un instrument pour permettre à Dieu de réaliser son plan et
O P. Ismael Matambura, SJ, nomeado Socius do Presidente da JCAM
O Padre Arturo Sosa, Superior Geral da Companhia de Jesus, nomeou o Padre Ismael Matambura, da Província da África Central (ACE), Socius (assistente) do Presidente da Conferência dos Jesuítas de África e Madagáscar (JCAM). Assume estas funções com efeito imediato, sucedendo ao Pe. John the Baptist Anyeh Zamcho, da Província da África Ocidental (AOC). Christian Kombe, SJ O anúncio foi feito pelo Presidente da JCAM, o Pe. José Minaku, numa carta dirigida aos Provinciais da Conferência. Esta nomeação representa uma nova etapa no percurso apostólico do Pe. Matambura, chamado agora a colaborar estreitamente com o Presidente da JCAM na animação da Conferência. Um percurso ao serviço da missão em África O Pe. Ismael Matambura não é uma figura desconhecida no seio da JCAM. Membro da Província da África Central (ACE), desempenhava até agora as funções de Diretor da Rede Jesuíta Africana contra a SIDA (African Jesuit AIDS Network – AJAN), uma das principais redes apostólicas da Conferência. Antes de integrar a AJAN, no segundo semestre de 2020, dirigiu o Centro Maisha, em Kisangani, na República Democrática do Congo, uma obra dedicada ao acompanhamento de pessoas que vivem com o VIH, à promoção da saúde comunitária e ao apoio das populações mais vulneráveis. «Um espírito de colaboração e um profundo conhecimento da Conferência» Na sua carta, o Presidente da JCAM destaca as qualidades humanas e apostólicas do novo Socius. Recorda que o P. Matambura «é bem conhecido em toda a Conferência» e que, estando colocado na Africama House, sede da JCAM em Nairobi, aí serviu «com generosidade, abertura e uma dedicação inabalável». Familiarizou-se, assim, progressivamente com a missão da Conferência, as suas estruturas e o seu modo de proceder. «O seu espírito de colaboração, a sua capacidade de estabelecer relações fraternas e o seu profundo conhecimento da Conferência tornam-no particularmente apto para esta importante missão», afirma o P. Minaku. Estas qualidades, adquiridas ao longo de anos de serviço em diversos apostolados da Província e ao serviço da Conferência, pesaram claramente no discernimento que conduziu à sua nomeação. Gratidão ao P. John the Baptist Zamcho A nomeação do P. Matambura constitui também uma ocasião para prestar homenagem ao P. John the Baptist Zamcho, que conclui o seu serviço como Socius do Presidente após muitos anos de dedicação, primeiro ao lado do P. Agbonkhianmeghe Orobator e, posteriormente, com o P. José Minaku. Na sua carta, este último manifesta a sua profunda gratidão ao P. Zamcho pela «sua competência, a sabedoria dos seus conselhos e o seu generoso compromisso», sublinhando quanto o seu serviço foi precioso não apenas para o Presidente da Conferência, mas também para os Provinciais e para toda a JCAM. Ao regressar à sua Província de origem, o P. Zamcho recebe os sinceros agradecimentos da Conferência pela qualidade do seu serviço e os votos de abundantes graças para a continuação do seu ministério. Um ministério ao serviço da comunhão A função de Socius reveste-se de particular importância na vida da Conferência. Como colaborador imediato do Presidente, contribui para a coordenação das redes apostólicas, a preparação dos encontros e o bom funcionamento das diferentes estruturas da JCAM. Este ministério exige simultaneamente capacidade de escuta, sentido de organização e um profundo conhecimento da realidade da missão jesuíta no continente. No final da sua carta, o P. José Minaku convida todos os jesuítas, colaboradores e amigos da JCAM a acompanhar com a sua oração o P. Ismael Matambura e o P. John the Baptist Zamcho durante este período de transição. Que o Senhor abençoe abundantemente os seus respetivos ministérios e continue a sustentar, através do seu serviço, a missão da Companhia de Jesus em África e Madagáscar.
Le P. Ismael Matambura, SJ, nommé Socius du Président de la JCAM
Le Père Arturo Sosa, Général de la Compagnie de Jésus, a nommé le Père Ismael Matambura Kashosi, de la Province d’Afrique Centrale (ACE), Socius (assistant) du Président de la Conférence des Jésuites d’Afrique et de Madagascar (JCAM). Il entre en fonction avec effet immédiat, succédant au P. John the Baptist Anyeh Zamcho. Christian Kombe, SJ L’annonce a été faite par le Président de la JCAM, le P. José Minaku Lukoli, dans une lettre adressée aux Provinciaux de la Conférence. Cette nomination marque une nouvelle étape dans le parcours apostolique du P. Matambura, appelé désormais à collaborer de manière étroite avec le Président de la JCAM dans l’animation de la Conférence. Un parcours au service de la mission en Afrique Le P. Ismael Matambura n’est pas un inconnu au sein de la JCAM. Membre de la Province d’Afrique Centrale (ACE), il occupait jusqu’à présent les fonctions de Directeur du Réseau Jésuite Africain contre le Sida (African Jesuit AIDS Network – AJAN), l’un des réseaux apostoliques majeurs de la Conférence. Avant de rejoindre AJAN au second semestre de l’année 2020, il avait dirigé le Centre Maisha, à Kisangani, en République démocratique du Congo, une œuvre engagée dans l’accompagnement des personnes vivant avec le VIH, la promotion de la santé communautaire et le soutien aux populations vulnérables. « Un esprit de collaboration et une profonde connaissance de la Conférence » Dans sa lettre, le Président de la JCAM souligne les qualités humaines et apostoliques du nouveau Socius. Il rappelle que le P. Matambura « est bien connu dans toute la Conférence ». Installé à Africama House, siège de la JCAM à Nairobi, il y a servi « avec générosité, ouverture et un dévouement sans faille ». Il s’est donc progressivement familiarisé avec la mission de la Conférence, son fonctionnement et ses structures. « Son esprit de collaboration, son aptitude à créer des relations fraternelles et sa connaissance approfondie de la Conférence le préparent particulièrement bien à cette importante mission», confie le P. Minaku. Ces qualités, acquises au fil des années dans différents apostolats en Province et au service de la Conférence ont manifestement pesé dans le discernement ayant conduit à cette nomination. Reconnaissance pour le P. John the Baptist Zamcho La nomination du P. Matambura est aussi l’occasion de rendre hommage au P. John the Baptist Zamcho, qui achève son service comme Socius du Président après de nombreuses années de dévouement, d’abord sous le P. Orobator Agbonkhianmeghe, puis avec le P. Minaku. Dans sa lettre, ce dernier exprime sa profonde gratitude au P. Zamcho pour « sa compétence, la sagesse de ses conseils et son engagement généreux », soulignant combien son service a été précieux non seulement pour le Président de la Conférence, mais aussi pour les Provinciaux, et l’ensemble de la JCAM. Alors qu’il retourne dans sa Province d’origine, le P. Zamcho reçoit les remerciements de la Conférence pour la qualité de son engagement et les vœux de fécondité pour la suite de son ministère. Un ministère au service de la communion La fonction de Socius revêt une importance particulière dans la vie de la Conférence. Collaborateur immédiat du Président, il contribue à la coordination des réseaux apostoliques, à la préparation des rencontres et au bon fonctionnement des différentes structures de la JCAM. Ce ministère exige à la fois un sens de l’écoute, des capacités d’organisation et une profonde connaissance de la réalité de la mission jésuite sur le continent. En conclusion de sa lettre, le P. José Minaku invite tous les jésuites, collaborateurs et amis de la JCAM à accompagner de leur prière le P. Ismael Matambura et le P. John the Baptist Zamcho durant cette période de transition. Que le Seigneur bénisse abondamment leur ministère respectif et continue de soutenir, à travers leur service, la mission de la Compagnie de Jésus en Afrique et à Madagascar.
Visita do Papa Leão XIV a Angola: uma graça e um apelo
A visita apostólica do Papa Leão XIV a Angola, de 18 a 21 de abril de 2026, marcou um momento forte para a Igreja neste país da África centro-austral, e particularmente para a Província Jesuíta da África Central. Não só porque este país faz parte do nosso espaço apostólico, mas também porque esta deslocação parece inscrever-se numa continuidade providencial particular: a última viagem apostólica do Papa Francisco a África levou-o à República Democrática do Congo, e eis que a primeira do Papa Leão XIV o conduz a Angola. Entre estes dois países, não existe apenas uma proximidade geográfica ou histórias políticas paralelas; há também uma profundidade histórica mais antiga, feita de circulações humanas, culturais e políticas que precedem largamente as fronteiras atuais. Uma realidade que recorda que este espaço é, no fundo, um tecido vivo, que herdamos para a nossa missão; tendo a Providência nos reunido, há já cerca de 16 anos, numa mesma Província. Para além dos encontros oficiais, esta viagem foi portadora de uma mensagem clara: reconhecer as feridas do passado enquanto se reaviva a esperança de um futuro possível. Angola vista pelo Papa Leão XIV: uma terra ferida que espera O Santo Padre lança sobre Angola um olhar ao mesmo tempo lúcido e cheio de esperança. O que mais impressiona nas suas palavras é a forma como mantém unidas, sem as opor, a gravidade das feridas e a força dos recursos interiores do povo angolano. Não cede nem a uma visão miserabilista nem a um otimismo ingénuo. Nomeia com lucidez as feridas históricas e as lógicas de exploração que marcaram e continuam a marcar o país. Na imagem dos discípulos de Emaús, reconhece uma chave de leitura da história angolana: um « país belíssimo e ferido, que tem fome e sede de esperança, de paz e de fraternidade »; um povo que continua a caminhar, mas que traz consigo o peso de um passado doloroso, correndo o risco de perder o impulso da esperança, como sublinhou na sua homilia durante a missa de domingo em Kilamba. E, no entanto, é precisamente aí, na memória dolorosa da guerra civil e na confrontação profética com uma economia sem rosto humano, que o Ressuscitado vem caminhar ao nosso lado e reavivar a esperança. Logo no primeiro dia da visita, perante as autoridades políticas, a sociedade civil e o corpo diplomático, o Bispo de Roma sublinhava que Angola não é uma terra a explorar, mas uma mosaico humano rico de talentos e sonhos. Demasiadas vezes se olhou para África « para dar ou, mais frequentemente, para tirar algo». Convidava, assim, a « quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria». Para o Papa Leão XIV, a sabedoria africana, que reconhece « que a criação é harmonia na riqueza da diversidade », é o melhor antídoto contra esta lógica de exploração e de violência, « fomentando a pobreza e a exclusão». Exorta os responsáveis a não temer a divergência, a escutar os jovens e os idosos, a transformar os conflitos em caminhos de renovação e a colocar o bem comum acima dos interesses de grupo. Ao mesmo tempo, o Santo Padre discerne algo de mais profundo no povo angolano, que não se deixa reduzir a determinismos: uma forma de alegria resistente, quase teimosa, que atravessa as provações e renasce apesar de tudo. « Essa alegria, que também conhece a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas, resiste e regenera-se entre aqueles que mantiveram o coração e a mente livres do engano da riqueza. » O Papa vê nela uma verdadeira força social e espiritual, capaz de se opor à resignação e de reabrir o futuro. Num mundo onde as lógicas económicas tendem a reduzir a realidade a mercadoria, esta alegria torna-se uma forma de resistência, até de subversão. Assim, Angola surge, na visão de Leão XIV, como um país ainda marcado por feridas profundas — a guerra, as divisões, as desigualdades — mas também como um lugar onde algo pode nascer, desde que essas tensões não sejam nem ignoradas nem absolutizadas, mas atravessadas num espírito de diálogo e conversão. A Igreja como presença que reaviva a esperança É neste contexto que o Papa situa a missão da Igreja. Recorda-lhe a sua vocação profundamente relacional e sacramental: a de reavivar a esperança onde ela se extinguiu. O Santo Padre chama a Igreja em Angola a uma presença concreta, eucarística e missionária: uma Igreja capaz de acompanhar, escutar e fazer-se próxima. « Angola, disse ele, precisa de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas e religiosos, leigas e leigos que tenham no coração o desejo de partir a sua vida e doá-la uns aos outros, de se empenhar no amor e no perdão mútuos, de construir espaços de fraternidade e paz, de realizar gestos de compaixão e solidariedade para com quem mais precisa. » Esta presença deve assumir a forma de uma existência oferecida: « tornar-nos esse pão partido que transforma a realidade ». Há aqui uma intuição fundamental. Para o Papa Leão XIV, a Igreja só é credível na medida em que entra numa lógica eucarística, aceitando deixar-se partir para que outros vivam. Isto vale para os pastores, os consagrados e para todo o povo de Deus. Assim, a evangelização não pode ser separada do testemunho. A palavra só frutifica quando é habitada; a fé só convence quando se torna visível em vidas transformadas. A necessidade de um discernimento espiritual Esta missão da Igreja não pode desenvolver-se sem um trabalho de discernimento e de acompanhamento do povo de Deus. Durante esta viagem, o Papa identificou com clareza algumas derivas que ameaçam a vida cristã no país: o sincretismo e uma forma de religiosidade utilitarista. Na missa em Kilamba, evocou o risco de um sincretismo que pode « de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual». Perante esta tentação, é necessário permanecer fiel ao ensinamento da Igreja, confiar nos pastores e manter « o olhar fixo em Jesus, que se
Visite du Pape Léon XIV en Angola : une grâce et un appel
La visite apostolique du Pape Léon XIV en Angola, du 18 au 21 avril 2026 a marqué un moment fort pour l’Église dans ce pays d’Afrique centre-australe, et particulièrement pour la Province jésuite d’Afrique centrale. Non seulement parce que ce pays fait partie de notre espace apostolique, mais aussi parce que ce déplacement semble s’inscrire dans une continuité providentielle particulière : le dernier voyage apostolique du Pape François en Afrique l’avait conduit en République démocratique du Congo, et voici que le premier du Pape Léon XIV le mène en Angola. Entre ces deux pays, il n’y a pas seulement une proximité géographique ou des histoires politiques parallèles ; il y a aussi une profondeur historique plus ancienne, faite de circulations humaines, culturelles et politiques qui précèdent largement les frontières actuelles. Une réalité qui rappelle que cet espace est, au fond, un tissu vivant, que nous héritons pour notre mission ; la Providence nous ayant réunis depuis près de 16 ans maintenant dans une même Province. Au-delà des rencontres officielles, ce voyage a été porteur d’un message clair : reconnaître les blessures du passé tout en ravivant l’espérance d’un avenir possible. L’Angola vu par le Pape Léon XIV : une terre blessée qui espère Le Saint-Père pose sur l’Angola un regard à la fois lucide et plein d’espérance. Ce qui frappe d’abord dans les paroles du pape, c’est la manière dont il tient ensemble, sans les opposer, la gravité des blessures et la force des ressources intérieures du peuple angolais. Il ne cède ni à une vision misérabiliste ni à un optimisme naïf. Il nomme avec lucidité les blessures historiques et les logiques d’exploitation qui ont marqué et continuent de marquer le pays. Dans l’image des disciples d’Emmaüs, il reconnaît une clé pour comprendre l’histoire angolaise : un « pays magnifique et meurtri qui a soif et faim d’espoir, de paix et de fraternité » ; un peuple qui marche encore, mais qui porte en lui le poids d’un passé douloureux, au point de risquer de perdre l’élan de l’espérance, souligne-t-il dans son homélie lors de la messe, le dimanche à Kilamba. Pourtant, c’est précisément là, dans la mémoire douloureuse de la guerre civile et dans la confrontation prophétique à une économie sans visage humain, que le Ressuscité vient marcher à nos côtés et raviver l’espérance. Déjà au premier jour de sa visite, devant les autorités politiques, la société civile et le corps diplomatique, l’évêque de Rome soulignait que l’Angola n’est pas une terre à piller, mais une mosaïque humaine riche de talents et de rêves. Trop souvent on a regardé l’Afrique « pour donner ou, le plus souvent, pour prendre quelque chose ». Il invitait ainsi à « briser cette chaîne d’intérêts qui réduit la réalité et la vie elle-même à une marchandise d’échange ». Pour le Pape Léon XIV, la sagesse africaine, qui reconnait « que la création est harmonie dans la richesse de la diversité », est le meilleur antidote à cette logique d’exploitation et de violence, « alimentant la pauvreté et l’exclusion ». Il exhorte les dirigeants à ne pas craindre la dissidence, à écouter les jeunes et les anciens, à transformer les conflits en « chemins de renouveau » et à placer le bien commun au-dessus des intérêts de clan. En même temps, le Saint-Père discerne quelque chose de plus profond dans le peuple angolais, qui ne se laisse pas réduire aux déterminismes : une forme de joie résistante, presque têtue, qui traverse les épreuves et renaît malgré tout. « Cette joie qui connaît aussi la douleur, l’indignation, les déceptions et les défaites, résiste et renaît chez ceux qui ont gardé leur cœur et leur esprit libres de la tromperie de la richesse. » Le pape y voit une véritable force sociale et spirituelle, capable de s’opposer à la résignation et de rouvrir l’avenir. Dans un monde où les logiques économiques tendent à réduire la réalité à une marchandise, cette joie devient une forme de résistance, voire de subversion. Ainsi, l’Angola apparaît, dans la vision de Léon XIV, comme un pays encore marqué par des blessures profondes – la guerre, les divisions, les inégalités – mais aussi comme un lieu où quelque chose peut advenir, à condition que ces tensions ne soient ni ignorées ni absolutisées, mais traversées dans un esprit de dialogue et de conversion. L’Église comme présence qui ravive l’espérance C’est dans ce contexte que le pape situe la mission de l’Église. Il lui rappelle sa vocation profondément relationnelle et sacramentelle : celle de raviver l’espérance là où elle s’est éteinte. Le Saint-Père appelle l’Église en Angola à une présence concrète, eucharistique et missionnaire : une Église capable d’accompagner, d’écouter, de se faire proche. « L’Angola, dit-il, a besoin d’évêques, de prêtres, de missionnaires, de religieuses et de religieux, de laïcs qui aient à cœur le désir de rompre leur propre vie et de la donner les uns aux autres, de s’engager dans l’amour et le pardon mutuels, de construire des espaces de fraternité et de paix, d’accomplir des gestes de compassion et de solidarité envers ceux qui en ont le plus besoin. » Cette présence se doit de prendre la forme d’une existence offerte : « devenir ce pain rompu qui transforme la réalité ». Il y a ici une intuition fondamentale. Pour le Pape Léon XIV, l’Église n’est crédible que dans la mesure où elle entre elle-même dans une logique eucharistique, où elle accepte de se laisser briser pour que d’autres vivent. Cela vaut pour les pasteurs, les consacrés, mais aussi pour l’ensemble du peuple de Dieu. Dès lors, l’évangélisation ne peut être séparée du témoignage. Autrement dit, la parole ne porte que si elle est habitée. La foi ne convainc que si elle est visible dans des existences transformées. La nécessité d’un discernement spirituel Cette mission de l’Eglise ne peut se déployer sans un travail de discernement et d’accompagnement du peuple de Dieu. Durant ce voyage, le Pape a nommé avec franchise et insistance certaines dérives qui menacent la vie chrétienne dans le pays : le syncrétisme et une forme de
Kubama (1926-2026) : un centenaire entre héritage et espérance pour la RDC
Célébrer cent ans d’existence n’est jamais un simple retour sur le passé. Pour une institution jésuite, c’est d’abord un exercice de discernement : relire une histoire, en éprouver les fidélités et les écarts, et s’ouvrir à ce qui appelle encore à naître. Le colloque organisé à Kisantu du 16 au 18 avril 2026, à l’occasion du centenaire du Collège Kubama, s’inscrit pleinement dans cette dynamique. Loin de se limiter à une commémoration, il a cherché à articuler trois dimensions essentielles : la mémoire d’un héritage, l’exigence d’un engagement présent et l’appel d’une espérance pour l’avenir. Comme l’a souligné le recteur du collège, le Père Jean-Claude Bindanda, SJ, « ce centenaire est un héritage qui nous honore, mais aussi une responsabilité qui nous engage ». Cette tension entre mémoire et responsabilité a traversé l’ensemble des travaux. En présence de Mgr Crispin Kimbeni, évêque de Kisantu, des anciens élèves, des élèves, des enseignants une question s’est imposée avec acuité : que reste-t-il aujourd’hui de la promesse éducative de Kisantu, et que peut-elle encore engendrer pour la République démocratique du Congo ? Kisantu : une genèse marquée par l’ambivalence La réflexion sur l’éducation missionnaire en Afrique centrale a longtemps oscillé entre deux lectures opposées : l’une, critique, y voit un instrument de domination coloniale ; l’autre, plus apologétique, en exalte l’œuvre civilisatrice. Le colloque de Kisantu invite à dépasser cette alternative trop simpliste. L’hypothèse qui guide cette analyse est la suivante : le projet éducatif de Kisantu, bien qu’inscrit dans un contexte colonial, a porté en lui une dynamique d’émancipation intellectuelle et sociale, rendue possible par des traits fondamentaux de la pédagogie ignatienne : le magis, la cura personalis et l’orientation vers le service. La conférence du Père Anicet N’teba Mbengi, SJ a rappelé avec rigueur les origines du projet. L’implantation jésuite dans l’État indépendant du Congo répondait à une double finalité : évangéliser et former des auxiliaires pour l’administration coloniale. Cette double orientation inscrit dès l’origine le projet dans une tension constitutive. Toutefois, l’analyse du Père N’teba a également mis en évidence une profondeur historique souvent négligée : l’héritage des premières missions jésuites au royaume du Kongo dès le XVIe siècle. Cette mémoire longue relativise l’idée d’une simple greffe coloniale. L’une des contributions majeures de cette communication réside dans la mise en lumière de la Fondation Médicale de l’Université de Louvain au Congo (FOMULAC) et du Centre agronomique de l’Université de Louvain au Congo (CADULAC), véritables matrices d’un projet universitaire. La prophétie formulée dès 1926 — voir émerger à Kisantu une université — trouvera son accomplissement avec L’université Lovanium à Kinshasa. Malgré les tensions institutionnelles qui ont accompagné ce transfert, une conviction demeure : les œuvres dépassent ceux qui les fondent. Une vision éducative intégrale : former pour servir L’intervention du Père Augustin Kalubi, SJ a recentré le débat sur l’essentiel : l’éducation jésuite ne peut se réduire à la transmission de savoirs. Elle vise la formation intégrale de la personne. Son triptyque — former la tête, le cœur et l’âme — rejoint les quatre piliers de la pédagogie ignatienne : conscience, compétence, compassion, engagement. Cette articulation confère à l’éducation une finalité claire : former des acteurs capables de transformer la société. Dans le prolongement de cette perspective, le Père Gauthier Malulu, SJ a approfondi la dimension théologique. En revisitant la devise Ad Majorem Dei Gloriam, il a montré que le magis ne relève ni de la performance ni de l’élitisme, mais d’une générosité orientée vers le service. Sa lecture kénotique de la gloire de Dieu — qui se manifeste dans l’abaissement — donne à l’engagement éducatif une profondeur spirituelle exigeante : servir davantage, c’est glorifier davantage. L’épreuve du réel : que sont devenues les élites formées ? La conférence du Père Jules Kipupu, SJ a introduit une rupture salutaire dans le ton du colloque. En posant frontalement la question de l’engagement des anciens élèves, il a déplacé le regard du projet vers ses fruits. Le constat est nuancé. Si de nombreux anciens servent avec dévouement, notamment dans des secteurs fragiles, une interrogation demeure : la formation reçue produit-elle réellement des acteurs de transformation sociale ? La question — « les jésuites sont-ils encore fiers de leurs anciens élèves ? » — a agi comme un révélateur. Sans céder au pessimisme, le Père Kipupu a appelé à une reconfiguration de la formation : renforcer l’éducation politique, favoriser l’immersion auprès des plus pauvres et intégrer l’écologie intégrale comme horizon pédagogique. L’université en crise : perte de sens ou crise de l’homme ? Le Père Alain Nkisi, auqnt à lui, a élargi la réflexion à l’échelle du système universitaire congolais. Le paradoxe qu’il met en évidence est frappant : alors que le nombre d’universités a explosé, la société semble manquer de repères. Refusant les explications simplistes, le Père Nkisi a rappelé que la dérive morale ne s’enseigne pas dans les programmes. La crise est plus profonde : elle touche à la vocation même de l’université. Être universitaire, c’est incarner un humanisme, porter des valeurs, être un repère, a-t-il souligné. Dans cette perspective, l’héritage de l’ancien CMS (Collège Moderne Scientifique) — articulation entre science et foi — apparaît comme une ressource encore féconde pour repenser un humanisme chrétien en contexte africain. Tensions et zones d’ombre Trois tensions majeures ont traversé les échanges au cours de ce colloque. D’abord, l’ambiguïté coloniale du projet, qu’aucune lecture ne peut totalement dissiper. Ensuite, la responsabilité des élites formées, confrontées à des contextes qui fragilisent les acquis éthiques. Enfin, le risque d’auto-célébration inhérent à tout centenaire. Le mérite du colloque aura été de ne pas esquiver ces questions, ouvrant ainsi un espace de discernement réel. Une boussole pour l’avenir : le Pacte éducatif global Le Pacte éducatif global du Pape François apparaît comme une grille de lecture transversale. En recentrant l’éducation sur la personne, la justice et la fraternité, il rejoint en profondeur l’intuition ignatienne du magis. Appliqué à Kubama, il invite à des choix concrets : repenser les curricula, structurer les réseaux d’anciens, renforcer l’éducation à la citoyenneté et
Dia Mundial das Vocações em Mbanza Congo
Em Mbanza Congo, a recolha preparatória para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações reuniu numerosos jovens empenhados em diversos caminhos vocacionais. Através da oração, da escuta e da reflexão, este encontro foi um convite a entrar na interioridade, lugar privilegiado de discernimento, e a deixar-se moldar por Cristo, Bom Pastor, modelo de toda a vocação. Uma diversidade de vocações em caminho No sábado, 25 de abril, realizou-se em Mbanza Congo a recolha preparatória para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Participaram neste tempo forte espiritual: os seminaristas do Seminário Menor São Salvador, as aspirantes das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria e das Irmãs Franciscanas do Verbo Encarnado, os jovens dos grupos vocacionais das paróquias São Francisco de Assis (confiada aos jesuítas) e Nossa Senhora da Imaculada Conceição (catedral diocesana), bem como os do Centro Pastoral São Pedro (confiado aos Capuchinhos). Esta diversidade de participantes testemunhava a vitalidade dos caminhos vocacionais e a riqueza dos carismas presentes na Igreja local. A interioridade, caminho de encontro com Deus Sob o tema «A descoberta interior do dom de Deus», em sintonia com a mensagem do Santo Padre para o 63.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a recolha convidou os jovens a entrar numa dinâmica de interioridade. O caminho da interioridade é um caminho de encontro com Deus. Trata-se de um percurso que passa pelo silêncio, pela escuta atenta da voz que ressoa no mais profundo do coração, sublinhou o pregador, o Padre Tekadiomona Nima. «A descoberta e o desenvolvimento da vocação convidam os cristãos – especialmente os jovens – a dedicar tempo ao silêncio para mergulhar na oração. Assim, a interioridade torna-se o lugar privilegiado de surgimento e de amadurecimento de toda a vocação», afirmou aos participantes. Num mundo marcado pelo ruído e pela dispersão, torna-se essencial criar espaços de recolhimento onde a voz de Deus possa ser escutada. A interioridade revela-se, assim, como «o lugar privilegiado de surgimento e de amadurecimento de toda a vocação». A partir do relato da vocação do jovem Samuel (1 Sm 3, 1-10.19-20), o Padre Tekadiomona insistiu na importância do acompanhamento espiritual no caminho vocacional. Aprender a reconhecer os movimentos interiores, deixar-se guiar e permanecer atento à presença de Deus constituem etapas essenciais deste percurso. A «oração do coração» foi proposta como um caminho concreto para habitar esta relação viva com o Senhor. Cristo, Bom Pastor, modelo de toda a vocação No domingo, 26 de abril, todos os participantes da recolha participaram na celebração eucarística na catedral de Mbanza Congo. A missa foi presidida pelo P. Tekadiomona Nima, SJ, também pregador da recolha, concelebrada pelo P. Lucien Nzamba, reitor do seminário menor, e pelo padre João Moio, antigo assistente do reitor. Na sua homilia, o celebrante desenvolveu o tema do Bom Pastor, no centro da liturgia do dia. Deus revela-se como o pastor fiel do seu povo, que nunca o abandona e continua a conduzi-lo por caminhos de salvação. Em Jesus Cristo, esta imagem cumpre-se plenamente: Ele é o pastor que conhece as suas ovelhas, caminha à sua frente e dá a vida por elas. À sua imagem, os fiéis são chamados a viver na confiança e a tornarem-se, por sua vez, pastores para os seus irmãos e irmãs, ao serviço da vida, da comunhão e da paz. Um compromisso luminoso para o futuro No final da homilia, os jovens dos grupos vocacionais das diferentes paróquias realizaram um gesto significativo: de vela acesa na mão, comprometeram-se a imitar Cristo, Bom Pastor, e a irradiar a sua luz neste mundo que tanto dela necessita. Este sinal simples, mas profundamente expressivo, manifestava o seu desejo de responder ao chamamento do Senhor e de se tornarem, cada um segundo a sua vocação, testemunhas do seu amor. Tekadiomona Nima, SJ – Mbanza Congo