Reunidos em Nairobi, no Quénia, por ocasião da 73.ª Assembleia Plenária da Conferência dos Jesuítas de África e Madagáscar (JCAM), os Superiores Maiores dedicaram cinco dias à oração, à reflexão e à partilha sobre o futuro da formação jesuíta. No centro dos trabalhos estiveram os desafios da preparação e do acompanhamento dos futuros Jesuítas, com vista à formação de homens capazes de responder, com discernimento e criatividade, às exigências da missão num mundo em transformação.
Camille Mukoso, SJ
O mundo está a mudar e, com ele, também as realidades às quais a Companhia de Jesus é chamada a responder. As transformações sociais, culturais, tecnológicas e eclesiais convidam a repensar as formas de preparar aqueles que, amanhã, levarão por diante a missão da Igreja e da Companhia. Foi nesta perspetiva que se realizou, de 21 a 25 de outubro de 2026, em Nairobi, no Quénia, a 73.ª Assembleia Plenária da Conferência dos Jesuítas de África e Madagáscar (JCAM). Ao longo de cinco dias, os Superiores Maiores das diferentes Províncias do continente e da grande ilha reservaram tempo para rezar, refletir e partilhar ideias sobre as orientações a dar à formação dos futuros Jesuítas.
Ao longo das conversas, os participantes foram percebendo progressivamente que a fidelidade à tradição da Companhia não se pode confundir com a simples reprodução dos modelos do passado. Exige uma capacidade constante de reler as experiências, discernir as novas necessidades e adaptar os percursos formativos às realidades do mundo contemporâneo, sem perder de vista aquilo que constitui o núcleo da identidade jesuíta.





Homens disponíveis para a missão
As reflexões incidiram, nomeadamente, sobre a colaboração entre as casas de formação, a preparação e o acompanhamento dos formadores, bem como sobre as condições necessárias ao bem-estar humano e espiritual dos Jesuítas em formação. Estes diferentes aspetos recordam que a formação não se reduz à aquisição de conhecimentos nem à sucessão de etapas institucionais. Envolve a pessoa na sua totalidade e exige um acompanhamento atento, capaz de integrar as dimensões humana, espiritual, intelectual e apostólica.
Com efeito, formar um Jesuíta é preparar um homem para se colocar à disposição da missão, mas também proporcionar-lhe os meios para viver essa disponibilidade com liberdade interior, maturidade e discernimento.




Fazer memória
A Assembleia foi também ocasião para fazer memória do Padre Fratern Masawe, SJ, antigo Assistente ad providentiam e Conselheiro Geral, falecido em Roma a 19 de outubro de 2026, e para confiar a sua alma à misericórdia de Deus. Este momento de recolhimento permitiu igualmente recordar que a missão de Cristo continua para além das pessoas e das responsabilidades individuais, sendo sustentada por uma história comum e pelo testemunho daqueles que a serviram.
Os Superiores Maiores encontraram-se ainda com os Jesuítas e os colaboradores da Conferência, na Africama House, dando assim espaço ao encontro fraterno e à partilha sobre o trabalho desenvolvido ao serviço da Conferência. O encontro de Nairobi voltou, assim, a colocar no centro das preocupações da JCAM o grande desafio que representa a formação dos Nossos. Trata-se de formar homens capazes de compreender o seu tempo, de se deixarem interpelar pelos sofrimentos do mundo e de lhes responder com a liberdade e a criatividade que o Evangelho exige. É um trabalho de longo prazo, cujos frutos serão avaliados menos pelos discursos do que pela qualidade humana, espiritual e apostólica dos homens que serão enviados em missão.
