Reunidos em Lubumbashi, de 29 a 31 de outubro de 2026, por ocasião do terceiro simpósio internacional dedicado a D. Christophe Munzihirwa, investigadores e agentes eclesiais refletiram sobre a atualidade do seu legado face aos desafios da paz na República Democrática do Congo. No contexto do centenário do seu nascimento e dos trinta anos do seu assassinato, os debates incidiram, nomeadamente, sobre as exigências de justiça, responsabilidade e convivência, no âmbito do Pacto Social para a paz e a convivência, promovido pelo episcopado congolês.
Landry Kuma Kuma, SJ


Trinta anos após o assassinato de D. Christophe Munzihirwa, a questão da paz na República Democrática do Congo continua a ser um grande desafio. Reunidos de 29 a 31 de outubro de 2026, no Centro Arrupe para a Investigação e Formação (CARF), em Lubumbashi, investigadores, agentes eclesiais e participantes no terceiro simpósio internacional, dedicado a esta figura jesuíta, procuraram compreender a atualidade do seu compromisso. Organizado no âmbito do centenário do seu nascimento e do trigésimo aniversário do seu assassinato, este encontro colocou no centro dos debates os possíveis contributos do seu legado para o Pacto Social para a paz e a convivência. Entre os participantes, destacaram-se a presença de D. Mitja Leskovar, Núncio Apostólico na RDC, de D. Fulgence Muteba, Arcebispo de Lubumbashi e Presidente da CENCO, bem como de vários outros bispos e homens e mulheres de boa vontade.
A memória de Munzihirwa como exigência de compromisso
Longe de se limitar a uma homenagem comemorativa, os trabalhos apresentaram a memória de D. Munzihirwa como uma exigência de compromisso perante as injustiças que continuam a fragilizar a sociedade congolesa. O Padre Toussaint Kafarhire Murhula, SJ, Diretor-Geral do CARF e presidente do simpósio, salientou, nomeadamente, a persistência das realidades denunciadas pelo antigo Arcebispo de Bukavu: a instrumentalização dos conflitos, a exploração dos recursos naturais e a marginalização das populações vulneráveis. Os debates estabeleceram, assim, uma ligação entre a violência no leste do país, os interesses geoestratégicos e a gestão das riquezas nacionais. Uma leitura que recorda que a paz não pode reduzir-se à cessação dos confrontos armados; pressupõe, pelo contrário, a verdade, a justiça, a reconciliação e o respeito pela dignidade humana.

O Pacto Social posto à prova da responsabilidade coletiva
As reflexões puseram igualmente em evidência o défice de liderança ética e a crise de responsabilidade que atravessam a sociedade congolesa. Para os participantes, o Pacto Social não pode permanecer uma fórmula política ou institucional: exige uma vontade coletiva de viver em conjunto, o respeito pela Constituição, a participação efetiva dos cidadãos e a primazia do bem comum. A luta contra a corrupção, a gestão transparente dos recursos mineiros e uma redistribuição mais equitativa das riquezas figuraram entre os desafios levantados. O testemunho de D. Nestor Katawa, Bispo emérito de Kolwezi, recordou, por sua vez, as características de uma liderança fundada na humildade, na proximidade com as populações e no serviço, em contraposição às práticas de poder que afastam os dirigentes das realidades vividas.
Jovens, mulheres e gerações futuras: que lugar na construção da paz?
O lugar dos jovens, das mulheres e das gerações futuras constituiu outro eixo importante do simpósio. Os participantes insistiram na necessidade de lhes dar um lugar efetivo na construção da paz, na prevenção dos conflitos e na reconstrução nacional. Os debates abordaram também o papel da Igreja na educação para a não violência, a responsabilidade no uso das redes sociais e a promoção de uma cultura de verdade e reconciliação. No encerramento, foi apresentado um memorando acompanhado de recomendações, para aprovação e assinatura.



Da comemoração ao compromisso
No final destes três dias, permanece uma interrogação: de que vale comemorar um homem que pagou com a própria vida o seu compromisso com a verdade e a justiça, se as causas dos conflitos que denunciava continuam a prosperar? O legado de D. Munzihirwa não se mede pela solenidade das homenagens, mas pela capacidade dos congoleses, dirigentes e cidadãos, de construir uma sociedade justa, na qual a vida e a dignidade da pessoa humana sejam respeitadas. Trinta anos após o seu assassinato, o desafio permanece: fazer da paz não um discurso de circunstância, mas uma escolha política, moral e coletiva.



